Como se preparar para julho de 2026: checklist para pessoa física e jurídica
Faltam semanas para a DeCripto entrar em vigor. Use este checklist prático para organizar suas operações, exchanges e carteiras antes do prazo.
- Lista de documentos e acessos a organizar
- Como exportar histórico de cada exchange
- O que fazer se você nunca declarou cripto antes
Faltam semanas para a DeCripto entrar em vigor. Quem chegar em julho de 2026 sem histórico organizado vai precisar reconstruir meses (às vezes anos) de operações manualmente — uma tarefa que consome dezenas de horas e tem alta chance de erro. Este checklist foi montado para você resolver isso em etapas claras, divididas entre pessoa física e pessoa jurídica.
Etapa 1 — Inventário de exchanges e carteiras
Antes de tudo, liste toda plataforma que você já usou para operar cripto. Inclua as que você parou de usar — operações antigas continuam valendo para fins de custo de aquisição e apuração de ganho futuro.
- Exchanges brasileiras: Binance BR, Mercado Bitcoin, Coinbase BR, Novadax, etc.
- Exchanges internacionais: Binance global, Coinbase, Kraken, Bitstamp, Bybit, etc.
- Carteiras self-custody: MetaMask, Trust Wallet, Phantom, Ledger, Trezor.
- Carteiras de exchanges descentralizadas: Uniswap, PancakeSwap, 1inch.
- Protocols DeFi onde você já fez swap, stake ou farming: Compound, Aave, Curve.
Dica prática: crie uma planilha com quatro colunas — plataforma, período de uso, tipo de acesso (e-mail/CNPJ/seed) e URL de exportação de histórico. Vai economizar horas depois.
Etapa 2 — Exportação de históricos
Cada exchange tem um caminho diferente para exportar o histórico. Veja os mais comuns:
| Exchange | Onde exportar | Formato ideal |
|---|---|---|
| Binance | Order → Order History → Download | CSV completo |
| Coinbase | Profile → Statements → Transaction history | CSV com todos os anos |
| Mercado Bitcoin | Extrato → Movimentação → Exportar | CSV ou XLSX |
| MetaMask | Settings → Advanced → Export state OR usar API Etherscan/BSCScan | JSON / CSV |
Para carteiras self-custody, o caminho mais confiável é consultar o explorador da blockchain (Etherscan, BSCScan, Tronscan) pelo endereço público da sua carteira. O histórico fica lá, público, e pode ser exportado em CSV.
Etapa 3 — Reconciliação de custo
Para cada criptoativo que você ainda detém, calcule o custo médio ponderado de aquisição. Some todos os valores comprados (em reais, pela PTAX do dia) e divida pela quantidade total adquirida. Esse número é a sua base de custo — usada para apurar ganho de capital quando você vender.
Operações antigas, anteriores a 2019 (quando o Dutr foi instituído), continuam válidas para compor o custo. Se você não tem mais o histórico, tente reconstruir via extratos bancários ou e-mails de compra.
Etapa 4 — Pessoa física: organize o IR existente
Se você já declarava cripto no IR anual (programa IRPF), certifique-se de que o saldo declarado bate com o saldo real nas exchanges e carteiras. Discrepâncias grandes chamam atenção do malha fina.
- Saldo em 31/12 do ano anterior deve constar na ficha "Bens e Direitos" como código 81 (cripto fora de exchange) ou 83 (cripto em exchange brasileira).
- Operações abaixo de R$ 35.000 no mês continuam isentas de imposto, mas precisam ser reportadas na DeCripto.
- Ganhos de capital acima da isenção mensal devem ser apurados no GCAP e pagos via DARF até o último dia útil do mês seguinte.
Etapa 5 — Pessoa jurídica: definição de regime
Empresas que operam cripto precisam definir em qual regime o resultado será tributado. As opções são:
- Lucro Real: resultado fiscal completo, inclui ganho/perda realizado e não realizado em alguns casos.
- Lucro Presumido: base de presunção sobre receita, mas ganho de capital em cripto costuma exigir apuração separada.
- Simples Nacional: anexo depende da atividade — comércio (Anexo I), serviços (Anexo III/V). Cripto como ativo de investimento pode cair em regras específicas.
Se sua empresa é uma holding familiar que só detém cripto, o regime mais comum é Lucro Real com apuração trimestral. Mas isso varia caso a caso — vale a pena consultar um contador.
Etapa 6 — O que fazer se você nunca declarou
Se você opera cripto há anos e nunca declarou nada, o cenário é sério mas tem solução. Os passos recomendados são:
- Reconstrua o histórico dos últimos 5 anos (o prazo decadencial da Receita para lançar ofício é de 5 anos).
- Faça as retificações dos IRPF anteriores, incluindo o saldo de cripto em "Bens e Direitos".
- Apure e pague os DARFs de ganho de capital retroativos, com multa e juros.
- Considere fazer uma denúncia espontânea antes de qualquer ação fiscal — ela exclui a multa de ofício (mas não juros nem o imposto).
Em casos de volume alto, vale a pena contratar um advogado tributarista para coordenar a regularização. O custo do profissional costuma ser menor que a multa potencial.
Etapa 7 — Ferramenta de automação
Mesmo com histórico organizado, a tarefa mensal de importar, converter para reais pela PTAX do dia, classificar operações e gerar o arquivo no leiaute da Receita é trabalhosa. É exatamente isso que a ferramenta DeClararDeCripto automatiza — você conecta suas exchanges via API somente leitura, conecta suas carteiras por endereço público, e o sistema prepara o arquivo da DeCripto mensal. Você só revisa e envia pelo seu próprio e-CAC.
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